Cultivo do Cacau Parte 1

O cacaueiro é originário de regiões de floresta pluviais da América Tropical, onde até hoje, é encontrado em estado silvestre, desde o Peru até o México.  É classificado do gênero Thebroma, familia das Esterculiáceas. Foi citado pela primeira vez na literatura botânica por Charles de l’ Ecluse, que a descreveu sob o nome de Cacao fructus.  Em 1937, foi descrito como Theobroma fructus por Linneu, que em 1753 propôs o nome Theobroma cacao, que permanece até hoje.

Os botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais, originando dois grupos importantes:  Criollo e Forastero. O Criollo, que se espalhou em direção ao norte, para o rio Orinoco, penetrando na América Central e Sul do México, produz frutos grandes, com superfície enrugada. Suas sementes são grandes, com o interior branco ou violeta pálido.  Foi o tipo de cacau cultivado pelos índios Astecas e Maias.

O Forastero espalhou-se bacia amazônica abaixo e em direção às Guianas.  É considerado o verdadeiro cacau brasileiro e se caracteriza por frutos ovóides, como superfície lisa, imperceptivelmente sulcada ou enrugada. O interior de suas sementes é violeta escuro ou, algumas vezes, quase preto.

Clima e solo

O cacaueiro requer temperatura média anual superior a 21 oC e, no mínimo, 1.500 mm de chuvas bem distribuídas durante o ano, sem longos períodos secos, em local de no máximo 600 m. de altitude. Se a temperatura cai abaixo de 15 oC, com 80% de umidade relativa do ar, ocorre a “podridão-parda” doença muito prejudicial ao cacau. Os solos devem ser férteis, com pH em torno de 7,0, frescos, profundos (no mínimo 1m) e em local não sujeito a encharcamento nem exposto ao vento sul.

Mudas

A comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, localizado na rodovia Ilhéus-Itabuna, km 22, que dá  a orientação necessária aos interessados de qualquer parte do Brasil pesquisa permanentemente novas variedades mais produtivas se fornece mudas híbridas aos produtores. O preparo da muda ‚ feito limpando-se as sementes por meio da fricção com pó de serra ou da lavagem, que elimina a mucilagem. Plantam-se, em seguida, as sementes limpas em saquinhos de polietileno cheios de terra de boa qualidade. A parte mais larga da semente ‚ voltada para baixo. Sobre a semente, coloca-se uma camada de 1 cm de pó de serra bem curtido ou terriço. Depois de cinco ou seis dias, em viveiro ripado, e regadas de acordo com as necessidades, as sementes germinam. Em cinco ou sete meses as mudas estão prontas para a plantação no local definitivo.

Variedades

As mais produzidas pela Ceplac são obtidas pelo cruzamento do cacau comum com o da variedade catongo. As variedades mais comuns no Brasil, Equador e África Ocidental são as dos chamados, “forasteiros”, originários da Amazônia, que têm também o nome de comuns. Uma das variedades mais estudadas hoje, a catongo, pertencente a esse grupo, é originária do baixo Amazonas. Os frutos desses cacaueiros de sementes roxas são verdes, quando estão imaturos, e amarelos, quando maduros. Os cacaueiros nativos do México e da Venezuela são chamados crioulos. Têm frutos verdes ou vermelhos quando imaturos, e amarelos ou alaranjados quando maduros. As sementes são brancas com leve pigmentação roxa. As diversas variedades existentes são originárias de cruzamento de variedades forasteiras e crioulas.

Sombreamento

O cacaueiro precisa de arborização para proteção contra raios solares. Quanto mais nova a planta, mais sombra precisa. Em área sem mata, deve-se fazer o sombreamento de dois tipos: o provisório e o permanente. O sombreamento provisório‚ feito principalmente com bananeiras, com espaçamento de 3×3 m. O sombreamento definitivo‚ feito com árvores altas, de até 30m de altura com grandes copas, como a eritrina, a cajazeira, a gmelina ou a farinha-seca, com espaçamento de 15×15 a 24×24 m, dependendo da espécie usada. A eritrina e a cajazeira são espaçadas em 24m. A implantação do sombreamento deve ser feita pelo menos seis meses antes do plantio do cacau. Para plantio em área de mata com grandes  árvores, faz-se apenas um raleamento dessa mata, deixando apenas as  árvores que interessam, num espaço de 15×15 a 18×18 m.

Plantio

Convém que se faça o plantio em períodos de muita chuva, em covas, em espaçamento 3×3 m, com os cacaueiros plantados nas linhas das bananeiras, quando se quiser mecanizar a cultura; ou entre quatro bananeiras, em áreas não mecanizáveis. Nos dois casos, o espaçamento ‚ 3x3m, cabendo 1.111 cacaueiros em 1 ha. Pode ser usado também o espaçamento de 3,5 x2 ,5m, dando 1.142 mudas por hectare.

Controle do sombreamento

À medida que o cacaueiro cresce, vai necessitando menos de sombra. O sombreamento em excesso, a partir de determinado ponto, prejudica a produção. É preciso, então, fazer um raleamento da sombra (o que se chama “cabruca”, na Bahia), progressivamente. Dois meses depois do plantio definitivo, ou pouco mais, quando as plantas já  estiverem fixadas ao solo, faz-se um raleamento suave, para permitir a chegada de um pouco mais de luz às plantas. Por volta dos 7 meses, a planta já  ter  formado o coroamento se a plantação for bem conduzida. Devem-se então eliminar filas alternadas de bananeiras e deixar os resíduos das plantas derrubadas no local: assim se mantém a umidade, protege-se o solo e melhoram-se suas qualidades físicas. O cacaueiro já  adulto e em plena produção fica só com o sombreamento definitivo, mas deve-se ter o cuidado de que a sombra não fique rala demais, porque isso deixa o cacaueiro mais sujeito ao ataque de pregas, além de ter seu ritmo biológico alterado, passando até a exigir adubação mais intensa.

Tratos culturais

O cacaueiro é muito sensível ao vento e, por isso, se a área for sujeita a circulação de ar excessiva, convém instalar quebra-ventos. Na fase de implantação, o controle de invasoras deve ser feito por meio de roçadas e capinas, mantendo-se o terreno livre do mato durante a estação seca.

Podas

São feitos três tipos de poda no cacaueiro. A poda de formação serve para dar forma e equilíbrio à planta e consiste na retirada de brotos e galhos indesejáveis. A poda de manutenção dá condições de produção à planta, por meio de eliminação dos ramos doentes, secos, sombreados e malformados. A desbrota ‚ uma poda superficial para a retirada de brotos-ladrões.

Polinização

A polinização das flores do cacaueiro‚ feita só por pequenas moscas da família Diptera, gênero Forcipomyia. Os locais naturais dessas mosquinhas são as bromeliáceas, os pseudocaules de bananeiras, os detritos orgânicos e a cobertura morta. Devem-se então preservar esses locais, e não matar as mosquinhas com agrotóxicos, pois sem elas o cacaueiro não produz. Só elas conseguem depositar de 35 a 40 grãos de pólen viáveis, quantidade mínima para a formação de um fruto desenvolvido. A caçarema, uma pequena formiga, também contribui para aumentar a produção, porque expele uma substância que atrai os insetos polinizadores. Outros insetos úteis para o cacaueiro são alguns parasitas e predadores, inimigos naturais das pragas.


Fonte:http://www.seagri.ba.gov.br/cacau1.htm
Fotos: http://www.ceplac.gov.br/album/menu3.htm

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. geilza souza camacan
    jul 24, 2011 @ 15:40:17

    em qual estação do ano deve se fazer o plantio do cacau?mudança da lua tem haver com plantio?/obrigada

    Responder

    • inforagro
      jul 28, 2011 @ 20:12:24

      Boa tarde, tudo bem?
      Plantio:
      Sementes em viveiro – setembro a abril.
      Mudas no campo – praticamente o ano todo, na região litorânea e vale do Ribeira. No planalto paulista, de outubro a março.

      Não sei te informar quanto a mudança da lua, pois nunca ouvi falar a respeito, mas irei pesquisar o assunto!!!
      T+

      Responder

  2. ivo rolim
    set 06, 2015 @ 02:36:12

    Por gentileza informe qual variedade de cacau indicada para plantio no nordeste do estado do Pará?
    A CEPLAC fornece vende a semente?

    Responder

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