Cultivo do Cacau Parte 2

Pragas e doenças

Pelos estragos que provocam, as pragas mais graves nos cacauais são a chupança, a tripes, as lagartas, as vaquinhas, os pulgões e as formigas. A maior parte dessas pragas ataca principalmente em áreas desassombradas, isto‚ é onde se raleou demais a mata e o sol bate diretamente nos cacaueiros. As doenças mais importantes são a vassoura-de-bruxa, a podridão-parda (um ataque de fungos que aparece nos frutos, troncos, folhas e raízes), e a antracnose. Tanto as pragas quanto as doenças só devem ser combatidas com orientação técnica. Mas em princípio recomenda-se nunca levar para a Bahia os ramos, as folhas, os frutos ou sementes de cacau e cupuaçu (da família do cacau) da Amazônia, pois com o material poderão ir também germes de doenças, como a vassoura-de-bruxa, o que daria graves prejuízos para o país.

Consorciação

No Estado de São Paulo, onde a produtividade dos cacaueiros tem sido bem maior do que a da Bahia, chegando até 4.000 kg/ha/ano amêndoas secas no município de Severânia, no oeste do Estado, o agrônomo Roberto Corte Brilho, da Coordenação Estadual da Assistência Técnica do Plano de Expansão da Cacauicultura de São Paulo, afirma que é possível associar as culturas de cacau com a seringueira, em determinadas condições de clima e solo, como as do Planalto Paulista, no oeste do Estado. São contra-indicadas  áreas do litoral de São Paulo. Mais informações podem ser obtidas no Instituto Agronômico de Campinas, da Secretaria da Agricultura de São Paulo, Caixa Postal 960, Campinas, SP.

Colheita

Na Bahia, a safra principal costuma ir do início de outubro ao fim de abril, e há também a safra temporã, a partir de maio. A colheita deve ser planejada de maneira que os frutos sejam colhidos na época certa, maduros. Colhem-se só esses frutos; os ainda verdes são colhidos depois, quando já estiverem maduros. A colheita se faz com uma faca recurva, chamada podão. Mesmo os que estiverem ao alcance da mão (o cacaueiro tem até 6m de altura) devem ser cortados com instrumentos bem afiados, nunca por simples torção: o corte do talo não deve prejudicar a sua base, na árvore, pois ele ‚ ponto de origem de novas flores e frutos. O cacau começa a produzir no terceiro ano; no sexto ano já produz economicamente. Entre o décimo segundo e o décimo quarto ano atinge a plenitude, produzindo por várias décadas. Dizem, na Bahia, que o cacau tem a “vida do homem”: aos sessenta ou setenta anos começa a decair. Há cacaueiros com mais de 100 anos na região da Bahia. Para renovação do cacaual os próprios cacaueiros velhos podem ser usados como sombra, sendo cortados depois, quando os cacaueiros novos começam a exigir mais luminosidade. As variedades híbridas plantadas atualmente dão em média 2 kg de castanha seca por pé (1.111 pés por hectare ou 2.222 kg/ha).

Fermentação

Depois de colhido, o cacau fica no campo durante uns três dias, e em seguida ‚ levado para o pátio de beneficiamento. Os frutos secos ou doentes devem ser enterrados na hora da colheita. No pátio, os frutos são quebrados e as amêndoas colocadas no cocho de fermentação. As amêndoas doentes, as germinadas e as de frutos verdes devem ser descartadas, para não prejudicar as restantes. Os cochos de fermentação são feitos de madeira; têm 1,00 x 1,20m, e 1m de altura. O fundo deve ser ripado, com distância de 3 mm entre as ripas ou então ter furos de 9mm de diâmetro a cada 15cm, para drenagem do mel e arejamento da massa. Depois de colocadas no cocho, até à altura de 75 a 90 cm, as amêndoas são cobertas com folhas de bananeira ou sacaria de aniagem. Durante a fermentação, as amêndoas devem ser revolvidas periodicamente. O revolvimento deve ser feito a cada 24 horas depois da colocação no cocho. Em cinco ou sete dias o cacau deve estar fermentado, com aroma de vinagre e coloração vermelho-castanha intensa.

Secagem

Depois da fermentação, a massa de cacau ‚ levada para a secagem ao sol (secagem natural) ou em secadores (artificial ). Para secagem ao sol, as amêndoas são colocadas em ” barcaças ” (tablados fixos, com cobertura móvel, que permite cobrir e descobrir o cacau quando for necessário). As camadas de 5cm devem ser revolvidas com um rodo de madeira dentado, até que corram bem. Aí se começa a usar o rodo liso, para revolvimento com menor frequência. Se as amêndoas mofarem, por causa das más condições de tempo, devem ser juntadas em montes, borrifadas com água e pisoteadas por pessoas descalças. O pisoteio remove o mofo e outras impurezas e dá  brilho às amêndoas. Durante a secagem, deve-se evitar o sol forte das 12 às 14 horas. A secagem na barcaça, que pode durar de cinco a quinze dias, leva em média dez dias. O processo de secagem artificial, sempre que possível, deve ser precedido pela secagem natural durante um a três dias, para que se finalize a fermentação. A altura da massa de cacau nos secadores artificiais a lenha ou gás deve ser de 10 cm com a temperatura mantida em torno de 60oC, as amêndoas ficam torradas. A secagem artificial se faz em cerca de quarenta horas. Depois de secas, as amêndoas ficam com 7 ou 8% de umidade.

Armazenamento e comercialização

A armazenagem pode ser feita em sacos ou a granel, em armazéns com chão e paredes revestidos de madeira bem arejados e iluminados.

Os subCultura do cacau

O cacau ‚ utilizado principalmente para fabricar chocolates, feito das sementes secas. Mas há vários subCultura. Da mucilagem que envolve as sementes, por exemplo, faz-se o suco de cacau. Há até uma espécie de liquidificador especial com um disco que retira a mucilagem sem machucar as sementes, utilizadas depois para produzir mudas. Essa mucilagem misturada com água e açúcar dá o suco de cacau. O mel que sai do cacau no processo de fermentação é usado para fazer geléia, álcool, vinagre, vinho, ácido cítrico e licores. Das sementes sai ainda a manteiga de cacau, usada para fazer o chocolate branco, medicamentos e cosméticos. As cascas das sementes podem ser usadas como ração para animais, adubo, ou como combustível. E as cascas do fruto servem de adubo, ração, celulose, goma e pectina.

Composição por 100 g

Chocolate em barra: 528 calorias, 4,4 g de proteínas, 94 mg de cálcio, 142 mg de fósforo, 1,4 mg de ferro, 3 mg de vitamina A, 0,02 mg de vitamina B1, 0,14 mg de vitamina B2;
Chocolate em pó: 362 calorias, 11,7 mg de proteínas. 70 mg de cálcio, 387 mg de fósforo, 7,5 mg de ferro, 2 mmg de vitamina A, 0,15 mg de vitamina B1 e 0,15 mg de vitamina B2.

Fonte:http://www.seagri.ba.gov.br/cacau1.htm
Fotos: http://www.ceplac.gov.br/album/menu3.htm

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. JOAO RAYMUNDO
    mar 04, 2011 @ 02:23:13

    com a diminuição da produção cacaueira, principalmente na Bahia., torna-se necessário editar matérias tecnicas do cultivo do cacau, tais como: poda, adubação, replantio, etc. assim como um novo medelo de administração rural nesta área para que possamos retomar a nossa posição anterior no ranking mundial. gostaria de ver esse tipo de trabalho realizado. abração.

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