Cultivo de Goiaba Parte 1

Originária da América Tropical, a goiabeira adapta-se a diferentes condições climáticas e de solo, fornecendo frutos que são aproveitados deste a forma artesanal até a industrial. É cultivada no Brasil e em outros países sul americanos, bem como nas Antilhas e nas partes mais quentes dos Estados Unidos, como a Flórida e a Califórnia. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais juntamente com a Índia, Paquistão, México, Egito e Venezuela.

Irrigando a lavoura e fazendo podas programadas é possível colher durante todo o ano, permitindo ao produtor a comercialização dos frutos no período de entressafra. Efetuando-se o devido controle de pragas e doenças, é possível obter 800 frutos por planta adulta, com produtividade superior a 40 toneladas por hectare.

Na região sudeste, destaca-se os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como os maiores produtores; Bahia, Pernambuco e Paraíba, na região nordeste; Goiás, no centro-oeste e Rio Grande do Sul e Paraná na região sul.

Aspectos Botânicos

A goiabeira pertence ao gênero Psidium, da família Mitaceae, que é composta por mais de 70 gêneros e 2.800 espécies, sendo que 110 a 130 espécies são naturais da América Tropical e Subtropical.

A planta é um arbusto de árvore de pequeno porte (Koller, 1979), que pode atingir de 3 a 6 metros de altura. As folhas são opostas, tem formato elíptico-ablongo e caem após a maturação.

As flores são brancas, hermafroditas, eclodem em botões isolados ou em grupos de dois ou três, sempre nas axilas das folhas e nas brotações surgidas em ramos maduros.

No que diz respeito à polinização, sabe-se que a goiabeira apresenta fecundação cruzada, que pode variar entre plantas 25,7 a 41,3 %, considerando-se 35,6 como o índice médio (Soubihe Sobrinho & Gurgel, 1962). A abelha Apis melífera é o principal polinizador.

Os frutos da goiabeira são bagas que tem tamanho, forma e coloração de polpa variável em função da cultivar. A frutificação começa no segundo ou terceiro ano após o plantio no local definitivo ou menos dependendo se a cultivar foi oriunda de propagação por estaquia.  A floração ocorre entre 71 e 84 dias após a poda. Os botões florais são formados entre 47 a 70 dias após a poda. O pegamento dos frutos ocorre, aproximadamente, 90 dias após a poda.

Variedades

O produtor que optar pelo mercado externo deverá dar preferência às variedades que produzam frutos com polpa branca e para o mercado interno, para consumo in natura ou para fins industriais, as variedades que produzam frutos de polpa avermelhada .

  • Características das principais variedades de goiaba. Macaé-RJ, 1997.
VARIEDADE ORIGEM CARACTÉRISTICAS DOS FRUTOS VIGOR DAS ÁRVORES
COLORAÇÃO TAMANHO FORMA
Kumagai Campinas-SP Branca Grande Arredondada Médio
Ogawa 1 Seropédica-RJ Branca Grande Oblonga Vigorosa
Ogawa 2 Seropédica-RJ Vermelha Grande Oblonga Vigorosa
Ogawa 3 Seropédica-RJ Rosada Grande Arredondada Médio
Paluma Jaboticabal-SP Vermelha Grande Piriforme Vigorosa
Rica Jaboticabal-SP Vermelha Médio Piriforme Vigorosa
Pedro Sato Nova Iguaçu-RJ Vermelha Grande Oblonga Vigorosa
Sassaoca Valinhos-SP Vermelho Grande Arredondada Bom
Fonte: PESAGRO-RIO

Clima

Apesar de ser nativa de região tropical, a goiabeira vegeta e produz bem, desde ao nível do mar até à altitude de l.700 m, sendo, por essa razão, amplamente difundida em várias regiões do país. Segundo Manica, citado por Pereira & Martínez Júnior (1986), é possível encontrar pomares comerciais de goiabeira do Rio Grande do Sul ao Nordeste brasileiro.

No Planalto Paulista, onde, de um modo geral, o inverno é brando e pouco chuvoso e o verão é longo e úmido, a goiabeira, segundo Pereira & Martínez Júnior (1986), apresenta ótimo desenvolvimento. Levantamentos realizados por Maia et al. (1988) dão conta da produção de goiaba de mesa em 94 municípios do Estado de São Paulo, destacando-se os de Campinas e Valinhos.

Não obstante a adaptabilidade da goiabeira a uma faixa climática bastante ampla, alguns fatores exercem grande influência sobre o seu desempenho agronômico.

Temperatura

A temperatura ideal para a vegetação e produção situa-se entre 25 e 30°, sendo muito exigente ao fotoperíodo. A temperatura não só limita, mas determina a época de produção da goiabeira. As goiabeiras sofrem danos em regiões sujeitas a geadas e ventos fortes.

Chuvas

A quantidade de chuvas por ano não deve ser inferior a 600mm, sendo que o intervalo ideal é de 1000 a 1600mm anuais, com boa distribuição ao longo do ano.

Nas regiões onde a estação das secas se prolonga, torna-se necessário fazer irrigação.

Umidade relativa

A umidade relativa do ar, outro fator importante para o cultivo da goiabeira, pode influir tanto no aspecto fisiológico como nas condições fitossanitárias dos frutos produzidos.

A faixa de umidade relativa do ar mais favorável ao cultivo da goiabeira parece situar-se entre 50 e 80%.

É importante assinalar aqui que independentemente da existência de faixas adequadas de temperatura e umidade, isoladamente consideradas, é imprescindível que os demais fatores de crescimento sejam otimizados.

Geadas

A goiabeira não tolera geada, causando, as mais rigorosas, queimas de folhas e ramos. Em plantas podadas, os danos são mais drásticos pela maior exposição dos ramos internos. Em algumas áreas da região Sudeste sujeitas a geadas o produtor devera evitar poda drástica entre os meses de junho e julho.

Solo

Por ser uma planta dotada de grande rusticidade, a goiabeira adapta-se aos mais variados tipos de solo. Recomenda-se, porém, que sejam evitados os solos pesados e mal drenados principalmente nas áreas irrigadas onde existe o risco de salinização.

Os solos adequados ao cultivo da goiabeira, sobretudo no caso da instalação de pomares destinados à produção de frutas para consumo in natura e exportação, são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH em torno 5,5 a 6,0. Em solos com pH igual ou superior a sete normalmente aparecem deficiências de ferro. Deve-se também sempre que possível preferir o plantio em terrenos protegidos dos ventos frios ou do frio vindos do sul.

Propagação

A goiabeira pode ser propagada através de semente, alporquia (mergulhia), estaquia, enxertia e cultura de tecido.

Semente

Muitos pomares ainda são constituídos por plantas oriundas de sementes (pé franco), porém, atualmente, não se aconselha essa forma de propagação, pois o pomar demora a produzir e o vigor das plantas difere de uma para outra. Mesmo que se tirem as sementes de um único fruto, colhem-se frutos sem padrão definido (vermelho, branco, pequeno, grande, redondo, em forma de pêra, etc.).

O plantio por sementes é aconselhável somente para os porta-enxertos, quando 4 ou 5 sementes são plantadas em sacos de 5 litros contendo substrato de esterco, areia e terra, podendo-se utilizar ou não calcário e superfosfato.

Enxertia

A goiabeira pode ser propagada por diversos tipos de borbulhia (T normal; T invertido e em placa ou escudo) e garfagem, sendo a mais utilizada a borbulhia em placa ou escudo.

Procede-se à enxertia quando o diâmetro do porta-enxerto (ou cavalo) atingir l cm no local do enxerto, o que ocorre após 11 a 15 meses após o plantio. Uma ou duas semanas antes da enxertia, os ramos da planta mãe (borbulheira) devem ser podados para que intumesçam as gemas. Com a ajuda de um vazador de l cm de diâmetro, retira-se a casca do porta-enxerto e coloca-se no lugar um pedaço da casca da copa com uma borbulha, também retirada com o mesmo vazador. Enrola-se com fita de enxertia por duas semanas até o pegamento, quando é retirada a fita e feita a poda apical l cm acima do ponto de enxertia.

Estaca herbácea

É um processo mais recente, cujas principais vantagens são o curto período necessário para a formação das mudas e a uniformidade genética da planta obtida.

A estaquia herbácea é realizada dentro de câmaras de nebulização intermitente. As câmaras de nebulização, que podem ser instaladas sob estufa, ripado ou a céu aberto, são compartimentos que dispõe de um conjunto de bicos nebulizadores cujo volume de água no ambiente é controlado por uma válvula solenóide sempre aberta. A distribuição da água, cuja função é manter uma fina camada de umidade sobre a superfície das folhas, é regulada por um “Timer”, que comanda a válvula solenóide, permitindo que os intervalos de aproximadamente um a dois minutos estejam distribuídos no interior da câmara, através dos bicos nebulizadores, jatos de água com duração de 5 a 10 segundos.

As estacas retiradas das partes verdes dos ramos de crescimento do ano são preparadas com dois nós, mantendo-se o par de folhas intacto no nó superior, retirando-se as folhas basais. O corte basal na estaca deve ser realizado logo abaixo do nó e o corte apical deve ser feito l cm acima do par de folhas. Estacas preparadas com partes lenhosas (amareladas ou achocolatadas) dos ramos têm enraizamento praticamente nulo.

As estacas herbáceas devem ser esfaqueadas em caixas de madeira “tipo uva”, tendo como substrato a vermiculita fina. Normalmente em uma caixa tipo uva (11 x 40 x 22 cm) são estaqueadas cerca de 24 a 28 estacas.

Quando a estaquia é realizada nos períodos quentes do ano o enraizamento é normalmente muito satisfatório (aproximadamente 70%). No inverno esta porcentagem tende a cair de modo significativo, sendo aconselhável nesta época a utilização de reguladores de crescimento.

O regulador de crescimento que traz melhores resultados é o IBA (Ácido indolbutirico) que em doses de 200 ppm através de aplicações por imersão da base das estacas por 12 a 14 horas, em ambiente escuroe temperatura próxima a 23°C, propicia satisfatório acréscimo no enraizamento.

Normalmente o período necessário para o enraizamento varia em função das condições climáticas, ocorrendo normalmente entre 45 a 65 dias.

Após o enraizamento, as estacas devem ser transplantadas para sacos plásticos com 2 a 3 litros de volume, tendo como substrato mistura de terra argilosa, areia e matéria orgânica na proporção de 1:1:1.

Nos sacos plásticos, mantidos sob sombra durante o primeiro mês, ocorre o início da brotação das duas gemas existentes na “axila” das folhas.

Procedendo-se a condução de um único broto, aproximadamente 6 meses após a estaquia pode se obter uma muda com haste única de 50 cm de altura, em condições de ser levada ao campo.

Escolha das Mudas

Atualmente, em plantios comerciais, não se plantam mudas oriundas de sementes, já que elas não produzem de forma homogênea devido à diversidade genética. Utilizam-se mudas enxertadas e de estacas herbáceas.

As mudas enxertadas são mais caras, pois levam 18 meses para serem produzidas, porém suas plantas apresentam raízes pivotantes e copas mais vigorosas. As mudas de estacas são obtidas em apenas quatro meses em câmaras de nebulização e são mais baratas. Só produzem raízes adventícias e, por isso, as plantas são menos resistentes a estiagens prolongadas e ventos fortes.

Os produtores devem adquirir mudas de boa procedência, livres de pragas e doenças (com folhas inteiras e sem manchas) e sem ramificações laterais, evitando comprar mudas cujas raízes já tenham rompido os sacos de polietileno.

Fonte:http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/goiabao.html#_Toc42258444

5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. karlinhos cruz
    jul 30, 2011 @ 01:22:31

    quero dizer que a explicaçao foi de grande valia pra minha experiencia no ramo da cultura da goiaba.gostaria que se possivel a inforagro me enviasse por e mail uma explicaçai mais rica em detalhes no modo de preparo de mudas de goiaba a parttir do modo de estaquia herbacia,pois eu tenho muita vontade de produzir minhas proprias nudas para meu pomar.muito obrigado.

    Responder

    • inforagro
      ago 05, 2011 @ 14:46:20

      Obrigado pelo comentário Karlinhos, fico feliz em ter ajudado!
      Peço desculpas pela demora em respondê-lo, estarei preparando um material e assim que estiver pronto lhe envio por e-mail ok!
      t+

      Responder

  2. rui santos
    jul 02, 2012 @ 02:13:47

    gostaria de informações acerca da propagação da raiz da goiabeira (raio de ação).

    Responder

    • inforagro
      jul 09, 2012 @ 11:18:52

      Bom dia Rui Santos,
      infelizmente não estou inteirado desse assunto, de forma que não posso lhe fornecer informações precisas.
      Peço desculpas por não poder ajudar.

      Responder

  3. luis carlos perin
    jan 22, 2013 @ 02:40:21

    gostei das esplicacao que foi de muito aproveito mais gostaria de receber mais informaces sobre o trabalho de voseis .besbe acolieita dos galios ate o enraisamento .para que eu possa fazr as proprias mudas se for pocivel
    nos enviar um vidio pelo coreio obrigado pela atencao

    Responder

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