A Importância dos Micronutrientes na Dieta das Aves

A produção avícola está alicerçada em quatro grandes pilares; a genética, detentora do real potencial de crescimento, produção e reprodução das aves; a sanidade, responsável por estabelecer um padrão de saúde adequado frente as doenças do contexto atual; a ambiência, que é de suma importância no conforto físico das aves, seja pela estrutura utilizada no sistema de produção, pela oscilação de temperatura no decorrer do dia e da noite, além da renovação e qualidade do ar, e o quarto pilar, tão importante quanto todos os outros citados, é a nutrição, tema que abordaremos com mais detalhes, destacando os principais ingredientes utilizados atualmente para elucidar as diversas interferências que podem comprometer o desempenho avícola.

Começamos pelo milho, ingrediente de maior inclusão na dieta, responsável principalmente pelo aporte energético da ração, além de contribuir com parte da proteína. Este grão possui em média 8% de PB (proteína bruta), 3% a 4% de óleo, com algumas variedades apresentando até 8%, aumentando consideravelmente a energia disponível nessa matéria prima. Devido a alta inclusão, entre 60% e 70% da ração, devemos estar atentos às variações nas composições nutricionais, medidas por análises bromatológicas e aminogramas. Também devemos avaliar a qualidade do milho pela quantidade de grãos ardidos, quebrados e brotados, além da umidade e presença de micotoxinas. Estas últimas são as grandes responsáveis pelo baixo desempenho animal, e que podem contaminar o grão ainda na lavoura, mas o principal ponto crítico é a armazenagem. E como é de conhecimento de todos, no Brasil a capacidade e qualidade de grãos não é das melhores.

Outra matéria prima que tem aumentado sua demanda no mercado de rações de aves, em substituição parcial do milho, é o sorgo. O sorgo pode ser comparado ao milho em muitos aspectos, principalmente no nutricional, possuindo, no entanto, menos energia. Também devemos levar em consideração que neste grão, o amido (fonte energética) está intimamente ligado à proteína e reduz sua digestibilidade. A maior preocupação em relação ao sorgo, além das qualidades físicas anteriormente descritas para o milho, é a presença de taninos, que são um grupo de fenóis com a propriedade de se combinar com várias proteínas. Animal alimentado com tanino exibe taxa de crescimento menor e maior incidência de severidades de desordens esqueléticas. Normalmente, quanto mais escura a semente, maior o teor de tanino. Dietas com a inclusão do sorgo necessitam de um maior aporte de metionina, aminoácido essencial e limitante ao desempenho produtivo e reprodutivo das aves.

O farelo de arroz, utilizado em algumas regiões do país, possui elevado teor de óleo, de 6% a 10%, o que viabiliza sua inclusão na dieta devido ao custo, em contrapartida, tem alta susceptibilidade a rancidez oxidativa. Ingrediente rancificado gera distúrbios gastrointestinais nas aves, e prejudica a absorção de todos os demais ingredientes da dieta. Também devemos levar em conta o alto teor de fibra e elevada concentração de ácido fítico do farelo de arroz, respeitando, assim, as inclusões máximas por categoria de animal e idade. A adição de enzimas, como a fitase, em rações com farelo de arroz, auxilia a digestão e melhora o desempenho das aves.

Mundialmente falando, o ingrediente padrão como fonte de proteína das rações avícolas é o farelo de soja, devido ao excelente perfil de aminoácidos. Em média apresenta 45% de proteína bruta e 1,5% de óleo, mas o farelo de soja contem alguns fatores anti-nutricionais para as aves, sendo o mais problemático o inibidor de tripsina. Assim como muitos tipos de grãos, o inibidor de tripsina irá impedir a digestão protéica, reduzir a taxa de crescimento e a produção de ovos, sendo o efeito mais visível à hipertrofia conspiratória do pâncreas. Para eliminar este inibidor e outras toxinas menos importantes como lecitinas (hemaglutininas), utiliza-se o processo térmico. A atividade do inibidor da tripsina é normalmente testada indiretamente pela medida da atividade ureática, que deve variar de 0,05 a 0,2. Valores maiores indicam ainda a presença de uréase, e tempo de processamento do calor maior do que o necessário.

Muitas indústrias, principalmente produtoras de frango de corte, possuem desativadores ou exaustores para a fabricação de soja integral. A soja integral tem em média 36% de proteína bruta e 22% de óleo. Substitui parte do farelo de soja, no que diz respeito ao fornecimento de proteína, além de ser fonte de energia, devido ao elevado teor de óleo. O principal problema encontrado nesta matéria prima é justamente o processamento, da mesma maneira que no farelo de soja, que pode não ter sido eficiente na desativaçãodos valores antinutricionais, mensurados pela atividade ureática do ingrediente. Além do mais, este ingrediente é passivo de rancificação, devido ao teor de óleo. Também devemos respeitar as inclusões máximas do mesmo na dieta, de acordo com as idades e espécies (frangos, poedeiras, matrizes, perus, e assim por diante) para que obtenhamos resultados zootécnicos satisfatórios.

O farelo de trigo, ingrediente de alta fibra, tem cerca de 15% de Proteína Bruta e baixa densidade. Por possuir baixa energia, é utilizado para ajustar as formulas das rações e atender às exigências de crescimento e produção das aves de postura comercial e matrizes. Também tem efeito melhorador de pellets, aumentando a dureza e quantidade de pellets interiores.o aumento excessivo da inclusão do farelo de trigo na dieta pode limitar o consumo devido a capacidade de digestão das aves, além de aumentar a viscosidade intestinal, que dificultará a digestão dos demais ingredientes da dieta e prejudicará o desempenho. Este também pode ser fonte de contaminação por micotoxinas na ração.

Até agora comentamos sobre matérias primas de origem vegetal, grãos e farelos, mas a dieta das aves pode conter uma série de ingredientes de origem animal. Discorreremos sobre alguns destes.

Iniciamos pelo farelo de carne, que pode apresentar entre 38% e 55% de Proteína Bruta, com excelente perfil de aminoácidos, níveis de cálcio variando entre 9% e 15%, e de fósforo entre 4,5% e 7,5%, sendo este último o principal ingrediente da farinha de carne para balanceamento nutricional da dieta. Como pode observar, a variação dos níveis dessa matéria prima é muito grande, e potencialmente prejudicial ao resultado produtivo, caso sejam utilizadas as matrizes nutricionais erradas nas formulações das rações. Para que isso não ocorra, são realizadas rotineiramente análises bromatológicas para determinar a correta matriz a ser utilizada dependendo da região e fornecedor.

Também é preciso atenção quanto à qualidade, pois pode haver oxidação da gordura com consequente distúrbio gastrointestinal nas aves.

Assim como o farelo de carne é oriundo do processamento da carne, normalmente bovina, a farinha de vísceras, a farinha de penas e o óleo de frango são subprodutos de frigoríficos avícolas.

A farinha de vísceras pode conter entre 55% e 75% de Proteína Bruta, com ótimo perfil de aminoácidos, sendo também grande fornecedora de energia para as rações. Os dois principais problemas deste ingrediente pode ser a alta variação entre os lotes, que dificulta a precisão na formulação das dietas, e rancificação da gordura que, como dito anteriormente, prejudica o resultado zootécnico.

Também temos a farinha de penas com cerca de 80% de Proteína Bruta e alta quantidade de aminoácidos lisina. Devido a sua baixa digestibilidade, devemos respeitar rigorosamente as inclusões para cada idade animal, e monitorar sua qualidade, quanto à rancificação.

E por último, destacamos o óleo de frango, ingrediente energético, que não deve ter acidez acima de 7%mg KOH, para utilizá-lo nas rações das aves, pois acima deste valor padrão é altamente prejudicial ao desempenho das aves.

Vimos aqui, o quão importante é o controle de qualidade das matérias primas utilizadas nas formulações das rações, bem como estabelecer os exatos níveis de matrizes nutricionais desses ingredientes.

O potencial é atingir o máximo potencial energético, e conferir rentabilidade aos matrizeiros produtores de pintos, às granjas produtoras de ovos comerciais e às integrações produtoras de frangos e perus. Para tal, é necessário acompanhar e avaliar incessantemente todos os pontos descritos, além de estabelecer rígidos padrões de qualidade para a aquisição de matérias primas.

A interação e comunicação frequente entre o departamento de compras e o setor de processamento e fabricação de ração, o fomente e nutricionista é fundamental para conquistar o sucesso na produção avícola.

Inibidor de Tripsina: Propriedade do sorgo que inibe a digestão de proteína pelo organismo. Isto acarreta vários problemas aos animais, entre eles o crescimento demasiado do pâncreas (produtor da tripsina) e redução do porte físico.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Postagens do Blog

dezembro 2010
D S T Q Q S S
« nov   jan »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Mais Avaliados

%d blogueiros gostam disto: