Todos Contra a Destruição do Nosso Código Florestal

Contra a destruição do nosso código florestal!!!

Deputado José Aldo Rebelo Figueiredo (PCdoB-SP), este é o homem que quer acabar com o nosso código florestal e logicamente com o pouco que ainda resta de nossas reservas naturais. Como cidadãos e brasileiros conscientes temos que impor o nosso ponto de vista, e ele, como um EMPREGADO da nação brasileira deve acatar a nossa decisão.

Neste post irei comentar um pouco sobre as propostas absurdas que este homem, que não é digno de ser Deputado Federal do Brasil, está propondo contra a nossa flora e fauna. Espero contar com a ajuda de todos que lerem este post para exporem o seu ponto de vista sobre o assunto e fazer pelo menos a sua  parte contra essa proposta, por mais pequena que seja.

No ponto de vista do Deputado, as terras brasileiras estão improdutivas e por isso devem ser abertas novas áreas para cultivo, mas onde abrir novas áreas?

Segundo ele, a Amazônia possui muito território agricultável. Como todos sabemos, a Floresta Amazônica vem sofrendo com o desmatamento incontrolado e sucessivas queimadas ano pós ano, e o que o governo faz de concreto para impedir isso? Digamos que quase nada! Seria essa uma forma de facilitar a abertura dessas novas áreas?

Quem já leu sobre as condições físico-químicas e biológicas do solo da Amazônia sabe que ele é um solo pobre, que só mantem aquela floresta maravilhosa graças à perfeita relação entre floresta e seres vivos que ali habitam e solo. A matéria orgânica é a fonte da vida daquele solo, os animais trabalham na disseminação de árvores frutíferas e o solo corresponde mantendo viva toda a diversidade daquela área. Agora pergunto, em uma pastagem ou em uma monocultura de cultivo convencional encontramos matéria orgânica no solo? Para quem ainda está em dúvida eu respondo, NÃO encontramos. Deste modo deduzimos, a monocultura e a pecuária na Amazônia estão “matando” aquele solo.

O Deputado propõe ainda a redução das APPs (Áreas de Preservação Permanente) em 50% e considera que os “topos de morro” não fazem mais parte deste grupo.

As APPs são aquelas áreas situadas em margens de rios, represas e lagos, topos de morro, encostas com mais de 45% de declividade, dentre outras. Elas já são pequenas e ele quer cortar pela metade.

Imaginem um rio de 10 metro de largura com e apenas 15 metros de mata nativa em suas margens, as lavouras e criações de gado estariam mais próximas dele, consequentemente os agrotóxicos, transgênicos e fezes de animais também, qual conclusão você tira sobre isso?

E os córregos, os mais susceptíveis a erosões e assoreamentos, imagine eles com apenas 15 metros de margem ciliar e com um pivô central ao seu lado com um cultivo intensivo de tomate. Será que os agrotóxicos iriam cair nele, será que ele está seguro de assoreamentos e erosões? E ainda, com certeza ele é um afluente de um rio que irá abastecer uma cidade, ele abriga diversas variedades de animais que dependem dele para viver, isso não causaria um impacto grande no ambiente? No meu ponto de vista sim. O Deputado deveria ter pensado nisso não Acha?

O nosso “amigo”  Deputado ainda propõe o perdão de todas as multas ambientais não pagas existentes, um prejuízo de milhões para os cofres públicos. Será que esses agressores do meio ambiente não merecem pagar por seus erros?

Recomposição da reserva legal em outros biomas. Mas o que é isso?

Isso significa que uma pessoa que tem uma fazenda de 100.000 ha em Minas Gerais pode desmatar toda a área e comprar uma outra propriedade no Sergipe, provavelmente uma área já esgotada pelo mal uso e cultivo excessivo, para ser a reserva de sua fazenda de Minas Gerais.

Pode ser que alguém pense: O que tenho haver com isso?

Estamos vivendo uma era em que o verde vale mais que qualquer diamante, estamos sofrendo com o aquecimento global e as mudanças climáticas são visíveis, milhares de pessoas estão morrendo com tragédias naturais em todo o mundo e o que querem fazer? acabar com o pouco que ainda temos preservado. Acha isso certo? Já parou para pensar como estará o mundo daqui a 50 anos, (isso se ele ainda existir)? Impedir essa mudança no nosso código florestal não irá salvar o mundo, mas já será um grande passo, pense nisso!

O Deputado Aldo Rebelo quer ampliar as áreas de cultivo para os monocultores do Brasil, os nossos “heróis”, que geram milhares de Dólares de lucro todos os anos aos nossos cofres, mas vamos fazer as contas!

O governo brasileiro injeta todos os anos mais de R$100.000.000 na monocultura, em forma de empréstimos para custeio de safra, aquisição de máquinas e implementos agrícolas, dentre outras regalias. Esta mesma monocultura gera cerca de R$150.000.000 a R$180.000.000 de “lucro” para o país e praticamente toda a produção destes agricultores e pecuaristas são exportados, você não acha que existe um erro nesta conta?

Vamos revisar: temos 180.000.000 de lucro, menos 100.000.000 de empréstimos feitos pelo governo, temos um lucro real de 80.000. 000. Levamos em consideração que a monocultura existe para sustentar o mercado estrangeiro, deduzimos que se o nosso supermercado fosse abastecido por eles estaríamos passando fome.

Agora entra em cena a agricultura familiar, uma das mais prejudicadas pela mudança no código florestal, responsável pelo abastecimento de nossos supermercados, mercearias e mercados. Realidade que é escondida ao máximo pela mídia, que é comandada pelo sistema capitalista que gira em torno de tudo isso.

Os verdadeiros “heróis” do Brasil estão sendo postos como improdutivos e deixados em segundo plano pelo Deputado!

Em entrevista o Deputado diz: “Eles (pequenos produtores) não querem desmatar nem mais um metro das florestas nativas. Você pode combinar a convivência deles nessas áreas com proteção do solo e da água com assistência técnica. Por exemplo, para fazer uma curva de nível, exige-se dinheiro e conhecimento técnico”.

Quer dizer que é possível conciliar a agricultura familiar ao meio ambiente, mas temos que desmatar para os grandes produtores, que na realidade trazem mais prejuízos que lucro para o país?

Como ele mesmo diz, para um pequeno produtor fazer uma curva de nível ele precisa de muito dinheiro e conhecimento técnico, mas o governo não se importa em disponibilizar isso para eles. Neste momento surge um outro problema, a qualidade do conhecimento técnico empregado, que está baseado em práticas de cultivo da década de 70, seria possível produzir mais adotando ainda estes métodos? Precisamos de uma reforma nas academias brasileiras, incentivando os acadêmicos a buscarem novos conhecimentos e a desenvolverem a iniciativa de criação de um novo modelo de agricultura e pecuária.

Ainda em entrevista o Deputado diz:

O grande produtor pode ter grande perda nessa revisão do Código Florestal?

Rebelo:
Com o texto atual, ele já perde muito. Na Amazônia, ele vai perder 80% (da propriedade) para reservas legais. No Cerrado é 35%. Comparando-se o grande produtor brasileiro com o estrangeiro, a perda já é grande, porque reserva legal e Área de Proteção Permanente (APP) não existem em nenhum outro lugar do mundo. O produtor, mesmo o grande, já está sob exigências muito drásticas. Se você ampliar essas exigências, você na verdade está praticando um “dumping” contra o produtor brasileiro em favor do americano e do europeu. E eu acho que não é o Estado brasileiro que deva fazer esse serviço, num setor de muita produtividade e muito protecionismo. O (produtor) europeu não tem essas barreiras e recebe muito mais subsídios. A renda dele é garantida pelo Estado. Se seguir assim, vamos acabar como a agricultura africana, que quebrou por causa do subsídio europeu, ou a mexicana, que quebrou por causa do subsídio americano.

Quer dizer que se o Presidente do EUA pular de uma ponte você vai pular atrás Deputado?

Acorda pra realidade Aldo Rebelo, estamos em meio de drásticos acidentes naturais em todo o mundo por conta da degradação que o homem vem causando ao meio ambiente no passar dos anos e você diz que não precisamos de APPs? Não temos que ser iguais aos outros para sermos melhores, temos que mostrar ser superiores produzindo e preservando ao mesmo tempo.

Nenhum produtor precisa perder 80% ou 35% de sua área, duvido que isso aconteceria um dia. Recomendo que o Sr. Deputado leia um pouco sobre sistema Agroflorestal de cultivo, irá se surpreender e aprender muito.

Sr. Deputado Aldo Rebelo, o verdadeiro “dumping” está sendo praticado com o pequeno agricultor brasileiro, que não recebe a atenção devida do governo e ainda sim sustenta todos nós, nos garantindo uma mesa farta em qualquer época do ano. Se o governo disponibilizasse recursos para os pequeno produtores como disponibiliza para os grandes, o Brasil já seria a maior potência do mundo em quesito Produção Agropecuária.

Em fim, este é um assunto extenso e que deve ser discutido com calma e de preferência com alguém que entenda e domine o tema. Já vimos que o Sr. Aldo Rabelo não tem condições para fazê-lo.

Sou Totalmente contra as mudanças propostas pelo Deputado, acredito que o código florestal deve ser atualizado e incrementado, mas sempre respeitando o meio ambiente.

Espero conta com o apoio de vocês contra os absurdos propostos até agora pelo Aldo Rebelo.

Fonte: Palestra ministrada por: Zarreph, no Instituto de Ciências Agrárias da UFMG, no dia 24 de março de 2011.

Zarreph é Engenheiro Florestal e está acompanhando desde o princípio as negociações sobre a mudança no código florestal em Brasília.

4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Mari Lee
    abr 02, 2011 @ 01:51:41

    Ótima postagem!
    Os ruralistas latifundiários estão pressionando muito pela aprovação do terrível projeto. Dia 5 de abril devem fazer uma grande manifestação em Brasília, tem gente de vários estados enchendo ônibus pra ir para lá.
    E Rebelo (como esse homem consegue dormir à noite???) cedeu ainda mais às reinvindicações deles, diminuindo mais ainda a APP (de 15 para 7,5m à beira dos rios), tirando os 5 anos de moratória a novos desmatamentos (que eram só para ter uma coisinha que fosse para tentar agradar ambientalistas), e ainda quer que a certificação de Reserva Legal possa ser feita pela internet, baseada somente na honestidade do dono da propriedade!
    É mais do que hora de juntarmos forças contra a proposta e nos manifestarmos!
    Eu acho que deveria haver manifestações em várias capitais no dia 07, mas talvez esteja muito em cima da hora para organizar… o que acha?

    Responder

    • inforagro
      abr 02, 2011 @ 13:49:11

      Nunca é tarde d+ Mari Lee….
      O que pesa contra uma reivindicação é o trabalho para reunir os manifestantes.
      Eu pensei nisto também, mas não tenho como mobilizar sozinho um grande número de pessoas e muito menos a condição de ir em uma manifestação em BH. No entanto, apoio totalmente a quem esteja disposto a organizar uma manifestação do tipo.
      Eu me pergunto como um homem daquele foi posto como encarregado de um projeto desse porte, ele não tem a capacidade de diferenciar uma espiga de milho dum cacho de sorgo…. é um analfabeto em questões ambientais!!!!
      Mari Lee, se você precisar de algum anúncio sobre manifestações me avise, faço questão de publicá-las e mobilizar o maior número de pessoas possível!!!
      Obrigado pelo interesse e comentário!!!!

      Responder

  2. Eneci Rizzo
    maio 28, 2011 @ 00:01:31

    Caros amigos, sou pequeno produtor rural aqui no Paraná e por isso gostaria de deixar meu ponto de vista em nome de todos os produtores do Oeste do Paraná:
    Concordo com vários tópicos da matéria acima, porém não posso concordar que, em terras tão férteis, caras e tão bem conduzidas (com 100% de microbacias, plantio direto, agrotóxicos seletivos e de baixo impacto ambiental, adubação orgânica com cama de aves, esterco de suinos, etc…) nós, pequenos agricultores, tenhamos que perder 20% de nosso suor, nossa longa luta (meus avós, pais, nossa geração e de meus filhos) na aquisição de cada ha de terra para florestas, sem ganharmos nenhuma indenização. Gostariam os senhores (ecologicamente corretos) de perder 20% do seu capital em prol da humanidade??? Caso a resposta seja sim, então vamos lá: Comecemos com seu lote: 20%, plante com árvores, ande a pé porque carro polui e afinal de contas, 20% vc perdeu dele (lembre-se que estou perdendo também meu pequeno patrimônio). Como, 80% de produtores rurais em nossa região é constituído de pequenos proprietários, nós (entre 20 e 50 anos) teríamos que abandonar as propriedades e exercer outras funções na cidade, como agrônomos, técnicos agrícola, e tantas outras profissões, tornando o mercado ainda mais competitivo. Eu poderia relacionar outros ítens, mas acho que já está bom para uma reflexão.
    Portanto, aqui em nossa região somos favoráveis à preservação das matas ciliares (algo que temos em praticamente em 100 % da região com 30 mts em pequenos rios), somos contra queimadas, derrubadas de árvores, expansão de áreas agrícolas na amazônia ou outros locais de preservação, temos 100% de devolução de embalagens de agrotóxicos e inúmeros outros pontos positivos em relação ao meio ambiente. Agora, não venham nos roubar 20% do nosso “ganha-pão” e de progresso para o nosso país em favor dos EUA ou outros países que estão incomodados com o aumento de nossa produção!

    Responder

    • inforagro
      maio 28, 2011 @ 00:28:41

      Boa noite amigo Eneci,
      Concordo plenamente com parte do seu ponto de vista, não é justo os brasileiros terem de preservar suas terras, muitas vezes férteis, para os gringos poderem devastar tudo no país deles.
      O governo brasileiro PODE e DEVE oferecer uma quantia em dinheiro para o agricultor para ele manter determinada área preservada, afinal ele não estará ganhado nada com ela parada!!!
      Os ambientalistas as vezes são um pouco radicais e não conseguem enxergar este lado da moeda, mas eles também têm um ponto de vista que deve ser examinado com cuidado por nós, uma vez que eles só estão tentando preservar o pouco que ainda resta dos nossos recursos naturais.
      Sem querer ser indiscreto quero fazer uma pequena correção na sua fala, NENHUM agrotóxico é de baixo impacto ambiental. A mídia preconiza a utilização destas “pestes” na agropecuária brasileira, mas o verdadeiro motivo da existência dos agrotóxicos é o capital que gira ao entorno deles. Como exemplo, temos o Glifosato, um Herbicida organofosforado que tem comercialização livre. O nome “organofosforado” quer dizer que o veneno tem base em fósforo e o fósforo (P) é um adubo que possui pouca mobilidade no solo, logo, ele fica no terreno por muito tempo (de 3 a 15 anos). Um veneno com este potencial, ao longo de todo este período, irá com certeza causar muito impacto na área. Temos também alguns outros pouco mais fortes como o Roundup e o Tordon, que são bem piores!!!

      Agradeço pelo comentário e ponto de vista amigo, o Brasil precisa de mais pessoas com visão crítica como a sua!!

      Responder

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